tudo passa;
se remédio a gente toma, se licor a gente bebe,
se vergonha a gente ganha
se a manha a gente deixa.
no compasso de cada passo
no gesto de cada abraço (forçado)
no rosto tão vermelho, suado
em tudo que me remete ao sentimento
eu entendo como o motivo do pensamento:
se tudo passa e passará
no estalo de um choro bem chorado
num susto de soluços agoniados
no surto atrasado de consciência
explique então a minha sanidade doentia
padecida de rebeldia, loucura
a minha ciência positivista
que me joga de volta pro chão
relativisa e divide a minha solidão
com a ventania, os dias de sol e a melodia
Saturday, September 27, 2008
descompassado
escrito e guardado por Pedro G. dos Arduennas às 16:09 1 comentários
Friday, September 12, 2008
cordeiro de nanã
pálida a dor que serpenteia os pés descalços
sobe pelos calcanhares, se acomoda nas vísceras
do corpo frágil, recalcado
acanhado, franzino
ábil apenas para ser delicado
emocional
o vento é o mesmo que vem dos lados de lá
da praia, da brisa constante, inerente ao meu prazer
e que tanto conhece o meu sofrer
o mal estar, o meu amar
amar e amar
esperar por tão pouco, e esperar mais um pouco
ver o mar, ir a praia;
tudo que poderia me consolar
e de uma vez, no instante de uma estrela cadente
me lavar a alma, as lágrimas
me levar pro horizonte
contínuo, sem fim
me benzer nas águas mornas
e quando o corpo estiver são por inteiro, voltar
não mais viver com as sereias, com as estrelas do mar
apenas as ouvir cantar, as ver dançar
e ter a certeza, que só sentiria o prazer de ser consolado
quando estivesse etupidamente ferido
minha alma canta, dança
e ao mesmo tempo
esperneia, e sangra.
escrito e guardado por Pedro G. dos Arduennas às 19:21 2 comentários
Sunday, September 07, 2008
pouco racional
me diga que é pra sempre
no tempo de uma música
na intensidade de uma sinfonia
acabe a agonia e diga que é pra sempre
e torça pra que ainda cante as partituras de amor...
cegas e surdas
incontroláveis
pouco funcionais,infinitas
intermináveis.
amoleça pra que eu segure
deixe mais flúido o que me atravessa o corpo:
a fumaça que dança em várias cores
que vem da combustão drogada de sentimentos
ferimentos, lamentos
e todos os meus intentos
quando for me dizer que é pra sempre
diga cantando
pra não ferir
por ser sensível, e me recusar ser feito de algum mineral
escrito e guardado por Pedro G. dos Arduennas às 21:14 1 comentários